Nada, no momento, na água
Presa do minuto instante
Afã da instantânea mágoa
À deriva, em sonhos, feita
Em vã brincar, torna-se vaga
A todo universo, perfeita
Com calma a empurrar, serena
Uma alma no mar, desfeita
Como bolha de ar, pequena
Em tempos de nuvens negras
Chuva que se escassa plena
Em tempo de novas regras
Umedece os olhos, se esquece
Dança círculos, se alegra, e
Às desilusões, desaparece
Chama pelo nome os medos
Segredos de vales inquietos
Liberta, com um giro, brinquedos
Não conta os mares que decora
Mares que os há mais que dedos
E contam em quantas formas tu os decora
E eu que a interrogação informa
Dou fim perdido onde mora
Profundezas que a tudo se conforma
Então tu, a quem não crê mais no ser,
Entorna sua forma, acena
Céu a se dobrar sereia
À minha fé-ballet oportuna
Um tesouro, e presenteia
Aos olhos, maior fortuna
Sempre a nos lembrar carência
De um reino pra si, lacuna
Primeva em reminescência
Tu que em um beijo devolve
O amor, que aos lábios, lhe vem
Se em um sopro a vida envolve
Mas tão densa coletânea
De breves momentos se dissolve
Passageira e momentânea
Se estreita em um minuto instante
Que ao lembrar, sinto um afago
Na memória, reconfortante:
Nada, no momento, na água
Presa do minuto instante
Afã da instantânea mágoa
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Blue Dolphin Rondo
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Marcelo
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Marcadores: inconsciente, memória, poemas, sapo dourado, Simbolismo
segunda-feira, 20 de abril de 2009
De Arte Mor Blues

Amor De arte no vento deixa
Um claro sabor e a boca úmida
Se esconde ao monte alado, rústica:
A prece longa que ao longe beija
Amor lusco fusco música
De amor e De arte, De arte e amor
Recorte a olho o verso na paisagem
E a ouro a guarde a mais de cor:
Se ela se vai, tu se apresse em por
Moldura em passo largo voragem
Amor De arte que atar nos conte
Que léguas e léguas partiram breves
Atreve-se a atar-se atrás dos montes:
Prece que se esconde aos montes
Paz que se nos passa eleva
De arte e amor, de amor e De arte
Voz que em leito azul se abra
Honras e hinos em rios poesia:
Sussurro e riso abracadabra
Amar amíngua e faz-se em santeria
Amor de amar, de arte invento
A chuva intranquila ponde anil
Um som de a murmurar lamento:
Rememora a honra de um só vazio
Tempo a repensar se ordena em vento
E eu sem ser, ergui do monte
Presilha lua que se põe à parte
Em poça de sol poente à pressa:
Comparte a mim delicada arte
De arte e de amor, e de a amor a prece:
Amar que se há na escuridade
Céu que dança ao ouvir clamor
Ao sabor de ventos podem compor
Músicas que remontem à idade
Que de amor e arte recontem amor
De arte e Amor no vento deixa
Um sabor claro e a boca úmida
Se esconde ao monte alado, rústica:
A prece longa que ao longe beija
Amor lusco fusco música
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Marcelo
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23:57
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Blueseira
Indicação de um amigo meu sobre um gênero musical em que eu estava devendo muito e que era uma vergonha que eu não conhecesse mais a fundo: o Blues.
Não que não goste ou não gostasse, mas não era algo que ouvisse muito frequentemente. Sempre pensei no Blues como algo que era legal como referência histórica ou como um tipo de som respeitável que depois "evoluiu" e virou o Rock'n Roll (opinião simplesmente lamentável).
Mas agora que comecei a ouvir Robert Johnson, Muddy Waters e Buddy Guy, entre outros, não sei como passei batido por músicas tão boas e perfeitas. É chavão dizer que ali estão as raízes do Rock, mas é uma outra experiência descobrir que havia músicos que faziam um som parecido com Rock e que não precisava ser tão "nervoso" para ser bom.
Acho que a música não precisa necessariamente arremessar a cabeça da criatura em espasmos involuntários para frente e para trás entre um acorde e outro de baixo para ser boa. Isso não é uma obrigatoriedade. O Blues abre espaços entre uma nota e outra e os preenche com sutilezas e ótimas letras: é algo bonito de ouvir.
Aí abaixo vão algumas referências clássicas para quem quiser ouvir sobre o que estou falando:
Lightnin' Hopkins - Dust by broom
Robert Johnson - CrossRoad Blues
Mojo Hand - James Cotton
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Marcelo
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domingo, 5 de abril de 2009
Melhor cena do cinema em versão tipográfica
Para quem sabe os diálogos de cor (que nem eu) dessa cena, vai a versão tipográfica dela:
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Marcelo
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11:31
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
Stone Walker - ...comments...
Esse poema concorre a Código Da Vinci rsrsrsrsrs
O próximo será mais cifrado, pelo que estou vendo
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Marcelo
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21:21
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Stone Walker

Isto não é de brinquedo, e não é um brinco
O alcance a pouco passa em um Então distante
Isto é um erro de Cálculo, ser errante
Vou tentar não errar com mais afinco
Estátuas de sal mortas em um instante
Tão sós deixadas a sorver longínquo
Hall: seis passadas, a passo largo, cinco, num
Quer sim, num quer não, e não garante
Estátuas que observam o desenlaço
- Sol às portas leoninas do embaraço
Que com dourada face - empalidece
Teu sorriso soluça e perde a graça
Teu coração se aperta ao que se passa
Quando a chama que há em si tu a perde e esquece
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Marcelo
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14:52
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quarta-feira, 18 de março de 2009
Como ler poesias 2 - Eu mesmo...
A última poesia, por exemplo, "Rompante", tem esse nome por causa que ela foi feita praticamente como quem rompe algo abruptamente, como quem se atira em um impulso e age sem qualquer planejamento. Ela foi feita após um encontro ao acaso com uma garota extremamente maravilhosa, o que provocou um tumulto completo em minhas impressões.
Entretanto, eu mesmo não havia entendido o que havia escrito até agora a pouco (isso é normal, já que minha escrita é automática), quando tive a chance de ver a motivação da poesia outra vez.
Primeiramente eu havia escrito "avelã de condão efluvescente" e me pareceu sonoro, bonito, entretanto infinitamente incompreensível.
Avelã é uma semente, condão tem a ver com magia e efluvescente tem a ver com eflúvio - como um eflúvio ou uma emanação de água, mas mais relacionado à aura ou a uma emanação de energia que de um objeto em si. A leitora vê que mesmo após explicar palavra por palavra dessa linha, o significado permanece nebuloso.
Então hoje vi os olhos da garota novamente. Nada mais indecifrável: um castanho único, cobertos de um mistério infinito, transbordando energia e vivacidade... Eram inexplicáveis, de fato, aqueles olhos, mas ao menos meu verso estava explicado: me recolhi à minha insignificância e troquei "avelã" por "avelãs".
Afinal, são dois olhos :)
P.S. : jamais peçam explicações de poesias novamente! rsrsrsrsrsrs
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Marcelo
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01:15
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